Nepenthes  2015

         

            Em tempos de crise ecológica global, consequência direta do modo de produção capitalista que devasta a Terra como nunca antes visto na história da humanidade, o Projeto Antrópicos propõe ao público uma experiência performática que questiona o papel dos Homens nesta crise.

          Nepenthes não só questiona este papel, como anuncia algumas perguntas que norteiam o espetáculo: o porquê da existência do sentimento de superioridade da espécie humana, estabelecido pelo próprio Homem Ocidental Moderno, em relação aos outros seres na Natureza? O que seriam dos Homens se outra espécie assumisse o topo da cadeia alimentar? E se os Homens modernos ocupam o topo desta cadeia, deixando de ser comida, como se tornaram tão indiferentes à Natureza? Para alguns povos indígenas do baixo Amazonas, tudo come e tudo será comido, talvez por não estabelecerem uma diferença ontológica de natureza entre plantas, homens e animais. Os habitantes dessas sociedades afirmam que plantas e animais possuem uma alma semelhante à dos humanos, que conta com intencionalidade e reflexividade. 

             Longe da pretensão de encaminhar uma resposta exata ao público, Nepenthes é estruturada por duas cenas performáticas onde as performers/atrizes trazem à cena a ideia de “acontecimento” em detrimento de uma narrativa textual linear e representativa. Sendo assim, o espectador é convidado a encaminhar por si próprio o sentido daquilo que lhe é apresentado, agindo como parte essencial da peça.

             A peça é inspirada no documentário “Reino das Plantas” da BBC e influenciada pelo perspectivismo ameríndio. Nepenthes é uma família de planta carnívora que se alimenta de insetos, pássaros e ratos, e não só dá nome a peça, como a cartografa para além de uma metáfora.

 


 

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