Conversão dos Santos 2012

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A Conversão do Menino Jesus no colo de Sto.Antônio

Igreja do Convento do Largo São Francisco - São Paulo

A Conversão de São Geraldo  

            Igreja Nossa Senhora do Carmo - Araraquara

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           Haverá sempre um tempo para migrar rumo a terra sem males 

ou restaram apenas as margens da terra prometida?

 

            Segundo Pierre Clastres , o genocídio e o etnocídio* estabelecem entre si uma comunhão: a de que o Outro é necessariamente a má diferença. O que difere o genocídio do etnocidio é a sua natureza de tratamento a esta diferença. Enquanto o primeiro se estende à negação do Outro, levando-o ao extermínio, o segundo vê uma chance de recuperação do Outro, conduzindo-o a se tornar idêntico àquilo que lhe é imposto.

            No entanto, o etnocídio não é menos agressivo que o genocídio, e sua prática em solos da América do Sul - a partir do séc. XVI – demonstra, assim como o genocídio, uma perversidade existente na Cultura Ocidental: a do ideal de superioridade absoluta em relação a outras culturas. Dentre os primeiros praticantes do etnocídio no Brasil, encontram-se os missionários, sobretudo das ordens jesuíticas, que se esforçavam em propagar e impor a fé cristã entre os indígenas, desestruturando suas vidas, colocando-os imediatamente sob a posição de inferiores.

           Por isso a escolha de intervir em imagens de Santos localizadas nos interiores de Igrejas, “convertendo-as”, imageticamente, naqueles que provavelmente foram os primeiros indivíduos a se encontrarem marginalizados na sociedade brasileira: os indígenas. 

           A “Conversão de Santos” parte da apropriação de um elemento do plano sagrado operando simbolicamente na inversão de um acontecimento histórico.

        A “Conversão de Santos” é também uma obra-manifesto, de embate a algumas políticas indigenistas no Brasil, que condenam à miséria diversas sociedades indígenas.

 

                                                                       *Sobre o etnocidio, ver o capítulo “Do etnocídio”, no livro “Arqueologia da Violência”, de Pierre Clastres.

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